Psicologia e Violência

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Olá! Somos um grupo de estudantes da FEP-UCP do 2º ano da Licenciatura de Psicologia. No âmbito da disciplina de Psicologia dos Direitos Humanos e da Paz foi-nos proposto a utilização de uma fonte global, permitindo-nos expressar através de um olhar psicológico as diversas temáticas relativas à violência.

Exemplo de um caso de uma vítima de tortura no Quénia

O caso de John, ilustra uma experiencia comum a muitos prisioneiros. John esteve preso quase durante um ano e foi repetidamente torturado.

John, de 19 anos, foi preso na noite de 11 de Janeiro de 1995 por um polícia que ele sabia ter reforços no exterior de cerca de 8 homens. Primeiro foi aprisionado na esquadra local da polícia e posteriormente transferido num camião, em conjunto com cerca de outros 30 para um local desconhecido. Os prisioneiros vendados tinham os braços amarrados atrás das costas e estavam ligados em grupos de quatro. Ao sair do camião foi agredido e elevado para uma cela individual onde permaneceu durante o resto do tempo á sua detenção. No primeiro dia, penduraram-no numa porta e agrediram-no nas solas dos pés, também foi espancado enquanto se encontrava sentado numa cadeira e foi forçado a executar exercícios e adoptar posições de stress. No dia seguinte, os interrogadores ataram um arame à volta dos seus testículos e puxaram durante cerca de 3 minutos. Subsequentemente, foi submetido a agressões nos ouvidos e no corpo.
A 1 de Março, foi levado para o posto da polícia de Kakamega onde foi finalmente acusado de ser membro de uma organização ilegal. Ficou preso e foi depois transferido para a prisão de Kodiega onde foi encarcerado numa cela pouco higiénica com outros 29 prisioneiros. As queixas de indisposição dos reclusos não foram aceites pelos guardas. Depois da morte de um prisioneiro em Setembro, os outros prisioneiros receberam alguns medicamentos. John foi eventualmente libertado sob fiança em Dezembro de 1995.


· Fiscalizando e investigando situações relativas à tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante e às condições prisionais. http://www.amnesty.nl/documenten/spa/booklet_por_tortura.pdf Consultado em [27/04/2010]

O que a Tortura?

A convenção das noções unidas contra à tortura define tortura como sendo “qualquer acto por meio do qual uma dor ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins de, nomeadamente obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões, a punir por um acto que ela ou uma terceira pessoa cometeu ou se suspeita que tenha cometido, intimidar essa ou uma terceira pessoa, ou por qualquer outro motivo baseado numa forma de descriminação, desde que essa dor ou esses sofrimentos sejam infligidos por uma agente publico ou qualquer pessoa agindo a titulo oficial, a sua instigação ou com o seu consentimento expresso ou tácito. ”

A tortura levanta muitas questões, designadamente politicas, psicológicas, direitos humanos, …, uma vez que é proibida na maior parte dos países. A tortura é ineficaz e susceptível de produzir informações falsas, ou seja, as pessoas submetidas a tortura por vezes a afirmam terem cometido qualquer acto, apenas para que o torturador pare. Contudo, muitas das técnicas que são utilizadas têm um cariz censurável, sendo utilizadas quando a vítima aparenta estar a reter informação. No entanto, estudos recentes afirmam que os torturadores nem sempre sabem quando o torturado está a reter a informação. Outra consequência retirada da tortura é que ambas as partes envolvidas (vitima e torturador), saem prejudicados, nomeadamente efeitos psicológicos negativos.

Violência nos media...uma realidade distorcida



A violência nos media tem sido encarada como uma das prioridades de investigação, diagnóstico e prevenção. De um lado, essa preocupação é justificada pela grande circulação de produtos mediáticos violentos, distribuídos, sobretudo, pelos Estados Unidos aos demais países do continente e para grande parte do mundo. Pesquisadores europeus e também norte-americanos vêm demonstrando que os programas produzidos nos EUA e exportados contêm mais quantidade e intensidade de violência que os de origem dos próprios países. Por outro lado, os estudiosos alertam que, com o fluxo global de informação pelos vários medias (por exemplo, a internet) tornou-se muito mais difícil, para as sociedades, controlar a qualidade dos conteúdos em circulação.Além do mais, sendo a violência uma produção histórico-social, são necessários investimentos constantes na interpretação das novas formas de sua apresentação e de suas defíceis articulações. Tal é o caso da necessidade de compreensão dos tipos específicos de violência próprios desse momento de mudanças profundas nos modos, meios e factores de produção, circulação e consumo, sob a proteção da revolução micro electrónica e de todos os meios comunicacionais e informacionais.
É importante referir que nem todo o modo de representação da violência e nem toda a reacção do público devem ser analisados da mesma forma, ressaltando a necessidade de distinguir factores que estão relacionados ao contexto da representação e às características individuais do espectador. Existem diversos factores referentes à natureza da representação que podem aumentar ou minimizar o risco dos efeitos nocivos da violência na televisão: características da vítima; motivo para a violência do agressor; presença de armas; duração e a intensidade das cenas violentas; grau de realismo das cenas de agressão; violência recompensada ou punida; danos morais, físicos e emocionais que esses actos provocam; existência de humor na apresentação das cenas de violência.
A exposição a longo prazo à violência nos media, é a falta de sensibilidade. Esse efeito caracteriza-se pela indiferença dos indivíduos quando a violência é dirigida a outros e há atitude de omissão em relação à vítima. Outro fenómeno relevante é a intensificação do medo por parte dos espectadores, de serem vítimas da violência na vida real. Esse aspecto do medo é observado nas pessoas expostas a muitos episódios de agressão na televisão. Expressa-se por meio de atitudes auto protectoras e nas formas desconfiadas de se relacionarem com os outros. Tais espectadores tendem a igualar a violência na tela, incluindo a que é veiculada nos telejornais, com a violência na vida real.
Foi feita muita pesquisa especialmente entre os norte-americanos para tentar conhecer a medida do relacionamento entre os media e comportamento social. Apesar das estatísticas e da reiterada observação empírica, já em 1963 um relatório da UNESCO a propósito da influência do cinema sobre as crianças e adolescentes, admitia que “tudo aquilo que sabemos com toda a certeza sobre o cinema é que não sabemos grande coisa com certeza”. Por outro lado, os três milhares de estudos realizados nos EUA sobre as relações entre televisão e infância também não produziram resultados significativos. O aumento exponencial da violência, em todas as suas formas, na maior parte nos grandes centros urbanos da América Latina e do resto do mundo, assim como o primado avassalador dos meios de comunicação sobre as formas de acesso de jovens e adultos às regras de relacionamento intersubjectivo no espaço social, coloca continuamente a media no centro das interrogações sobre o fenómeno da violência.
São várias as modalidades de violência e não são excludentes umas das outras, podem combinar-se: por exemplo, violência sociocultural-politica, anónima. Normalmente, porém, quando a media fala de violência refere-se à anomia dos crimes e assaltos. Assim, a televisão produz um efeito hipnótico e cria a ilusão de que se vê à distância, quando é mais verdade o contrário, que é à distância que se introduz as imagens e os sons na nossa casa. No entanto, é frequente ouvir expressões como esta: “É verdade, eu vi na televisão”. Mais ainda, a ilusão criada pelo audiovisual dificulta o conhecimento da realidade quando se pretende que esta se adapte às representações que dela fazem os meios. Assim ocorre, por exemplo, quando, para elogiar a beleza de algo, se diz que “é cinematográfica”, “de filme”, e coisas desse tipo.
A consciência do cidadão que se julga informado está limpa. Ele preocupa-se, está em dia, tem toda a classe de ideias sobre o que se poderia fazer, porém mantém-se isolado e inactivo em casa, em frente à televisão ou ao monitor do computador, no entanto, a enorme afluência de informações e dados pode estar a transformar a participação activa dos consumidores em conhecimento passivo.
Em relação à comunicação audiovisual, o entretenimento é o contacto com aquilo que não se tem e, por isso, com o que se deseja: gente rica e elegante, países exóticos, casas e vidas aparatosas, sorte na lotaria e nos inumeráveis concursos, etc.
A pequena janela da televisão permite mostrar os acontecimentos mundiais, ou melhor dizendo, permite receber tantas informações fragmentadas que o cidadão acredita que esta bem informado e a par de tudo, não sentindo a necessidade de intervir a fim de solucionar os problemas quotidianos com os demais. Inclusive pode-se ter uma consciência limpa, pois a pessoa preocupa-se, informa-se, está em dia, pode até ter toda a classe de ideias sobre o que se poderia fazer para acabar de uma vez com a miséria humana. Porém, mantém-se isolado frente ao televisor ou ao vídeo. O entretenimento dos meios pode servir tanto para a evasão da realidade, da obrigação e da responsabilidade, como para o encontro social, a descarga temporal das tendências associais, pode servir de tema de conversa, pode relaxar, aliviar, activar emoções, estimular ilusões, oferecer orientação, confirmar o saber quotidiano e muitas outras coisas. Contudo, há duas limitações: 1) que as mensagens mediáticas só desempenham essa função, temporalmente, de maneira transitória; e 2) que todo consumo mediático excessivo é perigoso, e é provável que apresente efeitos nocivos. Ou seja, que o uso dos meios pode ser também “disfuncional” para o individuo.
Portanto até que ponto os media podem influenciar a nossa postura e maneira de estar na sociedade. Não cabe a nós filtrar aquilo que nos convêm ou devido a nossa fragilidade, passividade, os media são tão influentes e exerce um poder tal capaz de manipularem as nossas ideias e distorcer assim a realidade para aquilo que provavelmente lhe convêm mais “vender”. Até que ponto os media devem ser vistos como um meio gerador de praticas violentas, abusivas que põem em causa os direitos humanos. Será que nos devermos começar olhar para eles não apenas como uma fonte segura de informação, fundamental para sabermos o que se passa em nosso redor, mas também como uma fonte de invasão de hábitos pouco moralistas usados para incutir rituais, ideologias geradoras de situações de conflito.

Concluindo até que ponto estes podem ser uma ameaça para nós e para o bem estar nas sociedades.



Is an evidence politik is violence



Porque quem está a espera que algo aconteça
Porque quem está a espera que alguém o ajude
Está a viver pensando que não vai haver quedas
e que a nós interrogam... e ao qual algo respondemos
Não sabíamos as regras

Nós vamos apontando os dedo a quem fracassa
as pessoas que fazem justiça para terem o que lhes convêm.
Onde os media fazem com frequência referência a essa violência
que não passa de uma evidencia,
que se alimenta de força, ignorância e insistência,
que recorre as bombas para afirmar a sua existência.
E no entanto continuamos firmes as suas exigências e fechamos os olhos as suas praticas sangrentas



Fuja à Realidade...


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

No Caminho de Maiakóvsk
Eduardo Alves da Costa

"Minhas opiniões são mais fortes que o meu juízo." Rodolfo Araújo


"Nao existe uma definição consensual ou incontroversa de violencia. o termo é potente demais para que isso seja possivel." Anthony Asblaster

Consegues definir violência?

Após, algum tempo gasto a procura de uma definição para a violência, descobri que esta pode ser vista como um comportamento que provoca dano noutra pessoa, ser vivo ou objecto. Nela nega-se a autonomia, a integridade física / psicologia chegando mesmo, em situações extremas, por em causa da vida do outro. Nela apuramos um uso excessivo da força, do poder que vai muito além do necessário ou esperado.

Que tipo de violência já praticas-te…que tipo de violência julgas vir algum dia praticar?

Autores como Asch mostra que, qualquer pessoas sentindo-se pressionada por um grupo que está constantemente a errar a resposta, pode induzir o indivíduo em erro e desta forma modificar a sua opinião. Milgram sugeriu que, num determinado contexto, pessoas comuns seriam capazes de electrocutar seus pares. Por outro lado Latané e Darley perceberam que há grupos de pessoas que tendem a imobilizarem as suas acções individuas, transformando-se em testemunhas, espectadores passivos, quando algum tipo de intervenção seria a atitude esperada e mais correcta.

Para Philip Zimbardo estes três casos são fortes indícios de que, dependendo do tipo de situação em que nos encontremos, e se colocarmos de lado nossas convicções pessoais, nossos valores morais nós, somos capazes de actos jamais imaginados.

Imaginas-te a usar uma arma sem ser em tua defesa e matares alguém? Julgas-te capaz para usufruir do poder para humilhar, usar a tortura ou abusar de uma pessoa? Sentes que conheces-te o suficiente para dizer que nunca agirias contra a tua conduta e valores éticos / morais? Sabes quais são os teus limites?

Neste blog tens a oportunidade conheceres um pouco mais sobre a mística que existe por de trás deste acto conotado por VIOLÊNCIA. Para já deixamos-te um vídeo de um dos autores mais polémicos nesta área…Philip G.Zimbardo professor da Universidade de Stanford e vencedor do Prémio IgNobel.